Bem vindo a Etec "Antonio Devisate" - Marília, 06 de Setembro de 2010.

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Doenças devem ficar fora do currículo

Doenças devem ficar fora do currículo, dizem especialistas

Indagar sobre enfermidades ou gravidez durante seleção é discriminação

 

Maria Carolina Nomura

 

O currículo é uma das portas de entrada para um emprego. Dessa maneira, é aconselhável que candidatos descrevam nele suas melhores competências e ressaltem toda a diferença que poderão fazer na companhia. Mencionar que são portadores de uma doença grave, contudo, pode ser um verdadeiro “tiro no pé”.

Marcelo Abrileri, presidente da Curriculum.com.br, diz que compartilhar essa informação pode diminuir as chances do candidato em processos seletivos. “O currículo serve para despertar o interesse do recrutador para uma entrevista presencial e tal informação provavelmente não ajudará para que isto ocorra”, afirma.

Kate Sweeney, diretora-executiva da organização internacional Cancer and Careers (www.cancerandcareers.org, em inglês e espanhol), acrescenta que, no caso de pacientes que ficaram um longo tempo sem trabalhar por causa do tratamento de doenças, o currículo deve ser reestruturado para focar mais as competências do que a cronologia da carreira.

Entrevista – De acordo com Marcelo Abrileri, raramente o departamento de recursos humanos questionará se o candidato está doente, porque essa é uma pergunta discriminatória. “No entanto, algumas pessoas não se sentirão bem em continuar no processo sem transmitir tal informação. Sendo assim, que o façam, para que fiquem com a consciência tranquila, lembrando sempre que essa comunicação poderá levar, infelizmente, a serem excluídas do processo.”

Para Marcelo, contudo, seria correta a divulgação da informação se a pessoa estiver visivelmente doente, ou ainda, se a pessoa tiver seu desempenho comprometido por causa da sua enfermidade. “Seria muito coerente que o próprio profissional informasse que está doente para que, em caso de ser admitido mesmo sob estas circunstâncias, tenha o apoio do RH ou do seu gestor em possíveis momentos mais delicados durante suas jornadas de trabalho.”

Kate Sweeney diz que a entrevista é um dos momentos de maior tensão do candidato que tem ou teve câncer, justamente por ter algumas lacunas cronológicas de trabalho. “A sugestão é que a pessoa esteja munida de respostas curtas e claras, que não entram em detalhes sobre a dificuldade do tratamento de câncer, mas foque em suas habilidades, experiências e como ela conseguirá realizar as atividades.”

Apesar de o tratamento ser longo e difícil, Kate aconselha os pacientes com câncer a nutrirem sua rede de contatos e não deixarem de comparecer a eventos do setor em que atuam ou gostariam de atuar. “Isso ajuda a manter o networking.”

Discriminação - Segundo a advogada trabalhista Cláudia José Abud, do escritório Abud Marques Advogados Associados, não existe nenhuma lei que obrigue o empregado a dizer que está doente. “Isso esbarra no direito da personalidade, da intimidade. Ninguém tem que andar com uma placa dizendo que tem Aids”, exemplifica.

Claudia diz que o empregador não tem o direito de pedir nenhum exame com a finalidade específica de saber se o funcionário tem alguma doença ou está grávida, no caso de mulheres. “É discriminação e está descrita na Lei 9.029, de 1995. Quem for vítima dessa prática pode ser indenizado.”

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